VOZES SILENCIADAS: MEMÓRIA E LUTA POLÍTICA DOS TRABALHADORES RURAIS
SEM-TERRA NO ESTADO DE SÃO PAULO (1990-2000).
“Como produção deliberada, a memória histórica,
ao longo de nosso século, foi sempre o instrumento
de poder dos vencedores, para destruir a memória
dos vencidos e para impedir que uma percepção
alternativa da história fosse capaz de questionar a
legitimidade de sua dominação”. (Edgar S. de Decca)
Antonio Alves de Almeida
PUC-SP
aa.almeida@terra.com.br
pelas Terras do Senhor: A Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Estado de São Paulo
Este artigo é resultado de uma pesquisa de mestrado (PUC-SP) intitulada As Lutas
(1990-2000) e tem como objetivo, pela história oral, resgatar a memória – o imaginário
individual e coletivo da Terra Prometida por Javé ao seu povo –, bem como a luta política –
as ocupações das Terras do Senhor e os conflitos daí decorrentes – dos trabalhadores e
trabalhadoras rurais sem-terra no estado de São Paulo.
A pesquisa teve como eixo a atuação da CPT na luta pela conquista da terra em três
regiões do estado de São Paulo: 1. Vale do Paraíba (São José dos Campos, Tremembé e
Jacareí); 2. Pontal do Paranapanema (Sandovalina) e 3. No Noroeste Paulista (Promissão).
Antes de iniciar a reflexão sobre a memória e a luta política dos trabalhadores e
trabalhadoras rurais pela conquista da terra e da reforma agrária, apresento de forma
sintética (por falta de espaço) alguns aspectos relativos à CPT, tendo como referência os
depoimentos dos seus respectivos membros.
Dom Pedro Casaldáliga “apoiamos a luta contra o latifúndio. Malditas sejam todas as cercas que impedem o homem de viver e amar”.
PARA TER ACESSO AO DOC. COMPLETO ACESSE:
http://www.fiocruz.br/ehosudeste/templates/htm/viiencontro/textosIntegra/AntonioAlvesdeAlmeida.pdf
PERFIL DOS ENTREVISTADOS
Cícero Antônio dos Santos, 41, trabalhador rural e militante do MST, assentado na fazenda
Santa Rita, assentamento Nova Esperança, município São José dos Campos – SP.
Dom Maurício Grotto de Camargo, 47, bispo da Igreja Católica que acompanha a CPT por
parte da CNBB – Regional SUL I, Estado de São Paulo.
Dom Tomás Balduíno, 81, presidente nacional da CPT e bispo da Igreja Católica.
Elza Maria da Silva, 50, membro da equipe de coordenação da CPT Pontal do
Paranapanema.
Ivo Poletto, 61, ex-padre, um dos fundadores e primeiro secretário da CPT [1975-80],
desligou-se da entidade no ano de 1993, passou em seguida a atuar na assessoria técnica
da Cáritas, atualmente atua no setor de mobilização social da presidência da República do
Brasil no projeto do governo Lula intitulado Fome Zero.
Marco Dal Corso, professor universitário e estudioso da Igreja e da questão agrária.
Maria de Lourdes Pereira Silva (Lurdinha), 49, ex-membro da CPT, atualmente é membro
da coordenação regional do setor de comunicação do MST no município de Promissão.
Mara Lúcia Galvão, 31, trabalhadora rural e militante do MST, assentada na fazenda Santa
Rita, no assentamento Nova Esperança, município de São José dos Campos – SP.
Padre Cláudio Perani, 62, um dos fundadores da CPT, atualmente é coordenador da
presença dos jesuítas na Amazônia.
Padre Antônio Ferreira Naves, 50, assessor da CPT do estado de São Paulo
Paulo Naveenn Manicompel, 38, ex-padre, membro da equipe de coordenação do MST do
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